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‘O carteiro das montanhas’ será exibido hoje na Fundec

Filme chinês dá profundidade a coisas simples
‘O carteiro das montanhas’ será exibido hoje na Fundec
Em sua jornada, filho descobre o amor, a humanidade do pai e de um mundo novo. Crédito da foto: Divulgação

Nildo Benedetti – nildo.maximo@hotmail.com

“O carteiro das montanhas”, do diretor chinês Jianqi Huo, narra a história de um homem que passou a vida entregando correspondências, em uma região montanhosa da China, e que agora é forçado a aposentar-se por problemas de saúde.

O filme começa quando o carteiro está preparando e ordenando as correspondências com seu filho de 24 anos que, no dia seguinte, passará a fazer o mesmo trabalho. Tudo deve ser meticulosamente classificado e embalado para não ocorrerem equívocos, omissões e dificuldades com o mau tempo que poderia danificar as correspondências.

Na manhã seguinte, o filho se prepara para a viagem. É uma rota longa e acidentada e a viagem levará três dias. Ele será acompanhado pelo cachorro da família, conhecedor profundo do caminho porque sempre esteve ao lado do pai, auxiliando-o em uma série de funções. Mas, o cão não quer seguir o filho e o pai resolve acompanhar o jovem.

O filho é o narrador “in off” do filme. Durante o percurso, ele vai nos relatando seus sentimentos em relação ao pai. Procura competir com ele, relutando em descansar para que o pai não note a sua fragilidade e, por isso, decide parar apenas quando o genitor se cansar. Chega até mesmo a sugerir que o velho retorne à casa. Quando menino, fora criado por sua mãe porque o pai estava ausente por longos períodos. Por causa dessa educação distante, diz que não sabia o que conversar com o pai. Tinha medo dele, embora nunca tivesse sido surrado. Era uma sensação muito estranha, diz o jovem, porque sentia saudade dele mas temia-o sem saber por quê. Muito raramente o chama de pai. A caminhada representa, portanto, o mais longo período de tempo em que passaram juntos.

A associação da viagem como forma de operar uma incursão ao autoconhecimento tem sido tratada no cinema, nos chamados “road movies” (filmes de viagem). A caminhada pelas montanhas provoca uma mudança na vida dos dois personagens. Em um dia, o filho vai pouco a pouco descobrindo facetas do pai que até então desconhecia. O pai, que parecia inacessível e distante, mostra-se um homem sábio como portador de boas e más notícias, cultivador de muitas amizades, conselheiro compreensivo de muitos, querido e respeitado por todos, que desempenha papel importante na ligação dos habitantes locais com o mundo exterior. E, sobretudo, sente-se orgulhoso do filho que herdou sua posição. E o filho agora descobre o significado humano do trabalho exercido pelo pai.

Eles são pessoas simples, que não são dadas a profundas discussões filosóficas e existenciais e os fatos que ocorrem na jornada vão fazendo que se compreendam mutuamente.

“O carteiro das montanhas” é um filme sem dramas complicados ou paradoxos da existência humana; a beleza do cenário se articula com a beleza contida nas conversas, nas pequenas histórias humanas e nas lembranças do pai com respeito ao seu casamento e a sua vida passada com a família. E agora o pai vê o filho se interessar uma jovem das montanhas — o mesmo que havia ocorrido com ele décadas atrás.

Serviço

Cine Reflexão
“O carteiro das montanhas”, de Jianqi Huo
Hoje às 19h
Fundec (rua Brigadeiro Tobias, 73)
Entrada gratuita

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